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 Exposição 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia

20 jan, 2022 as 09:30 11 mar, 2022 as 21:00

A Fundação Clóvis Salgado inaugura duas exposições do 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia, que fica em cartaz de 20 de janeiro até 11 de março de 2022. Foram contemplados os artistas visuais Chris Tigra (MG) e Matheus Dias (PE), com as exposições Recostura e Campo de Passagem, respectivamente. Com propostas criativas que reforçam o poder da arte, a nova edição do Prêmio Décio Noviello de Fotografia destaca as lacunas entre passado e presente em que os artistas constroem novas narrativas.

Em RecosturaChris Tigra expõe em grande escala imagens de mulheres negras escravizadas, trazendo à tona uma memória escravocrata, por vezes renegada, e estruturalmente reproduzida até os dias atuais. Nas fotografias, a artista costura manualmente cordas e ataduras, reconstruindo elos e propondo uma nova forma de enxergar essa realidade.

Já nas fotocolagens de Matheus Dias, estão retratados sua trajetória pessoal e os enfrentamentos e lutas antirracistas e decoloniais, provocando reflexões sobre corpos dissidentes. Campo de Passagem reúne imagens fotográficas recortadas, coladas, sobrepostas, queimadas, unidas a elementos diversos: por meio da intervenção, uma nova realidade é proposta.

Para Eliane Parreiras, presidente da Fundação Clóvis Salgado, a realização do 2º Prêmio Décio Noviello de Fotografia dá continuidade a um programa que valoriza e difunde o trabalho de artistas de todo o Brasil. “Neste ano, consolidamos por meio dessas exposições um dos editais de fomento mais importantes para as Artes Visuais no país. Para nós, é extremamente relevante fomentar a arte fotográfica e estimular a ocupação da Casa de Fotografia de Minas Gerais, espaço essencial dedicado exclusivamente a essa prática”, destaca.

Sobre as exposições:

Recostura, de Chris Tigra

“Tento sempre me lembrar que um país – e um povo – sem memória, se esvazia”, ressalta a artista visual mineira Chris Tigra, ao descrever, da ideia à concepção, a mostra Recostura. A pesquisadora, que assumiu recentemente sua investigação em Artes Visuais, parte da apropriação de fotografias de mulheres negras escravizadas, também chamadas de “mucamas” ou “escravas domésticas”, encontradas em consultas nos acervos do Arquivo Nacional e da Biblioteca Nacional. Segundo Tigra, as imagens foram realizadas por fotógrafos do Período Colonial, e abordam a mulher negra sob o ponto de vista antropológico, sem nome e sem história.

Durante a pesquisa, Tigra também se deparou com documentos digitalizados que são frequentemente ocultados durante o ensino da história brasileira, como contratos de compra e venda de escravos e a representação de diferentes objetos usados para torturar negros. Em 2020, ao se deparar com um então decreto que proibia escravas rendeiras de usarem as rendas que elas mesmo teciam, a artista foi acometida por um desejo enorme de trabalhar com o ‘feitio de coser’. Em Recostura as imagens das mulheres escravizadas se encontram com esse desejo.

A partir dessas fotografias, impressas em grande escala, a artista realiza intervenções com cordas e ataduras, em forma de costura à mão, propondo ativar outras formas de imaginar a história escravocrata. “A costura expande da linha clássica: dou vazão ao desejo de bordar com ataduras – objeto para tratar feridas, e cordas, conjuntos de fios que ganham corpo quando unidos”, descreve a artista, enfatizando que a mostra Recostura só acontece porque algo foi descosturado. “Toda proposta da exposição tem a ver com isso, numa tentativa de refletir sobre história e memória, o cruzamento entre passado, presente e futuro, que tenta recriar elos, achar laços: é isso que a linha faz, unir de um ponto ao outro e poder seguir adiante”.

Campo de Passagem, de Matheus Dias

Unindo imagens por meio da colagem e assemblage, Matheus Dias consolida o encontro de suas memórias à trajetória histórica dos corpos dissidentes, que buscam se encontrar enquanto humanos, na fuga dos estereótipos. Campo de Passagem, primeira exposição individual do pernambucano, é resultado de um processo intenso de vasculhos pelas vivências do artista – ao final de 2019, após um período depressivo, Dias notou um intenso apagamento de sua identidade, acarretado por uma série de traumas, como bulliyng e assédios, além de preconceitos sociais atrelados ao corpo negro e à desvalorização da arte no Brasil. Até novembro de 2020, Dias consolidou um trabalho de pesquisa que entrelaçou a escuta oral de seus familiares, à rememoração de seus primeiros contatos com a arte – através da arte-terapia, ainda quando criança – e à construção de realidades possíveis e mais confortáveis, através da prática fotográfica.

Segundo Dias, é por meio da intervenção que a exposição Campo de Passagem se constrói. “Eu intervenho em fotografias como um meio de intervir na minha história. Provoco mudanças em mim e as transmito para a imagem. Há também várias colagens e ilustrações sobre fotografias de arquivo familiar. Nessas o que busco é remontar minha autoimagem e ressignificar momentos importantes da vida”, ressalta.

Ao longo de sua trajetória, Dias realizou exposições coletivas, compôs painéis e salões artísticos, e lançou um livro de fotocolagens. Até o momento, o artista considera o Prêmio Décio Noviello de Fotografia a consequência mais importante de sua carreira. “A oportunidade de montar minha primeira exposição individual é um marco, principalmente na minha autoestima e confiança no meu trabalho. Além da visibilidade que o prêmio pode me proporcionar. Esse projeto é, na verdade, um livro-diário-casa. É uma exposição de sutilezas, fragilidades e fortificações. Ser forte não significa não ser frágil. O Campo de Passagem mostra uma figura feminina-masculina que é frágil e essa fragilidade a torna forte, presente e firme. Estou deixando nesse espaço um rastro, uma memória de quem um dia fui e recriando histórias em um tempo não linear”.

Décio Paiva Noviello

 Nascido em São Gonçalo do Sapucaí, Minas Gerais, Noviello atuou como pintor, gravador, desenhista, cenógrafo, figurinista carnavalesco e professor. Em paralelo às suas atividades artísticas, lecionou desenho, geometria, matemática e topografia em colégios militares; exerceu o cargo de diretor artístico da revista da Academia Militar das Agulhas Negras; e trabalhou como ilustrador da Biblioteca do Exército. Durante 20 anos atuou como professor de história da indumentária no curso de estilismo na UFMG. Cidadão honorário, personalidade do carnaval e da cena teatral de Belo Horizonte. É representante da pop arte e da vanguarda brasileira; com participações e prêmios em vários salões, bienais e exposições no Brasil e no exterior.

Sua exposição Cor Opção ocupou a galeria Genesco Murta durante a programação do ArteMinas 2018 e foi a última mostra em vida do artista belo-horizontino. Durante a abertura, Décio reviveu o happening que compunha a mostra Do Corpo à Terra, que integrou a programação de inauguração do Palácio das Artes, em 1970. O artista também contribuiu na realização de cenografias e figurinos para balés, óperas e peças teatrais produzidas pela FCS, além de outras mostras de artes plásticas.

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